Archive for the ‘Poesia’ Category

Poesia

17/08/2009

Poesia 08

A palavra que magoa…

A palavra que magoa

Perpetua-se…

A palavra que incentiva

Adoça…

A palavra vazia

Incomoda…

Não enfasties a vida com palavras ocas

Elas acabam por vulgarizar

A tua existência.

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Fer Fontes

Publicado no site: O Melhor da Web em 06/02/2009  Código do Texto: 13381

Poesia 7

04/09/2010

LÍNGUA PORTUGUESA

Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Poesia 6

21/09/2009

NA CASA AVOENGA

José Nêumanne Pinto

A nuca cansada apoiada

na palma aberta da mão,

os olhos míopes

do velho Chico Ferreira

escutavam o choro do sertão

no céu sem estrelas

da mais escura vastidão.

um sapo

um grilo

um rês

uma rã

Assim era o serão

na Fazenda Rio do Peixe,

de onde fui vindo.

Todo som que me vier

do bojo da rabeca de Bié,

como chuva na telha

e sabor de leite coalhado

com rapadura rapada

– eta emoção!

http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/searades.htm

Poesia 5

08/09/2009

A SEARA DE SARAMAGO

José Nêumanne Pinto

Esta língua é minha semente,

machado de mulato do morro,

pátria de poeta lisboeta.

Esta língua é minha visão,

o sol do soldado caolho,

a mão do soldado maneta.

Esta língua é minha música,

na palavra do padre pregador,

no pássaro do padre voador.

Esta língua é minha mulher

tem cuidados de mãe

no leito da amante.

Esta língua é minha rosa,

tem perfume dos sertões gerais,

tem sabor de vinhos do Porto.

Esta língua é meu cavalo

para subir cidades e serras,

que a brisa do Brasil beija e balança.

Esta língua é fel com mel,

cantigas a palo seco

de ninar o futuro.

Esta língua é meu coração,

na tortura, na paixão

e no sal amargo da purificação.

Esta língua é jóia africana,

ela caça a onça caetana,

ela cruza a légua tirana.

Esta língua é fruto de meu ventre,

mata sede de amizade,

me arma nos bons combates.

Esta língua não é de viver,

língua de navegar e de lamber

e de dançar o tango argentino.

Esta língua é meu berço,

esta língua me conhece,

esta língua é meu caixão.

http://www.umacoisaeoutra.com.br/literatura/searades.htm

Poesia 4

24/08/2009

Língua Portuguesa

Wanderlino Arruda

Mensageira do amor,

timoneira da esperança,

testemunha de muitas lutas,

acompanhante de muitos anseios,

és o maior cadinho de raças

que a história já viu.

És mistura, eterna mistura

de lusos, celtas, fenícios,

gregos e cartagineses.

És cadinho ibero de romanos e suevos,

alanos e godos, gente brava germana.

Língua mãe de uma pátria universal,

mestiçagem de antigos árabes,

luta e trabalho da raça africana,

mescla de sangue da América.

És história de muitas conquistas,

na guerra, na paz,

no desfrute e na tristeza,

na opressão, na liberdade,

acima de tudo, oh! Língua Portuguesa,

és o canto maior de uma raça

de homens e mulheres

que ampliaram fronteiras.

Altaneira na humildade,

és soberana e criativa na formação

de uma nova gente

mesclada raça lusitana

http://www.celipoesias.net/vanderlino_arruda/lingua_portuguesa.htm

Poesia 3

17/08/2009

LÍNGUA DE TODAS AS LÍNGUAS

Língua

Línguas das línguas

As que se desentendem

Serpenteiam ferinas

Língua que me xinga

Áspera exaspera

Queima

Arde desejo

Cospe

Língua mãe

Sem filhos

Erros errantes

Metáforas de nada

Engolem-se

Língua que passa em meus lábios

Não me beija

Cala-me

Faca corta

Muda

Diante do querer

Que outra língua me fale

De Amor

Saliva doce

Mordo a língua

Soluço

Espero

Ouvir grunhidos

Teu grito

Tua língua

Estranha

Estrangeira

Em mim

Cíntia Thomé

http://www.overmundo.com.br/banco/lingua-de-todas-as-linguas

Poesia 2

(10/08/2009)

Centésimo Poema… Ciranda Linguas

Lavratura…

Miscigenados na progênie, sacarose e fogo

Augusto sabor dos Anjos… Mel, dulcificando palato,

Na LÍNGUA saudade, moída nos canaviais. Traduções de sonhos Álvaros, vocábulos Dias, namoram crepúsculos…

Lavratura…É o trovador minutando lira, acariciando mundo, Guimarães Rosa. Sonetos adoçando mar, tecendo roucos poemas á Fernando Sabino versejando a fala.Tu és o Homem, Olavo Bilaque! O ser fecundo em face maiúscula, Euclides da Cunha, declama voz mansa o músculo…

Lavratura… Beirada homilia intensa que sai da boca,

Como vento UIVANTE iracundo, circunspeta alfarrábio

Folhetim, como no tango de Gardel tão antigo…

Nos chorosos fados de Camões, nas lamurias de Cecília…

Lavratura…A nau que não calou Castro Alves, vento que não cala minha fala, solfejastes os campos do Chile, lavrando trigais de Neruda, peregrinando Lorca nas padieiras de Granada a trucidar o Purgatório de Dante, na Fidelidade de Vinícius…

Lavratura…Criadora de nossa LÍNGUA falada, á Florbela Espanca, Clarice Lispector. Senhora de neologismo e semântica própria construtora da gramática intensa de sensações viradas no canto. Nos papiros de Rosa Pena, dissertas transbordando em versos, o Goiás de Cora…

Lavratura…Que na LÍNGUA portuguesa encantem meus versos, que Fernando Pessoa afie o Machado, em Assis as preces á Alta de Sousa. Fluidificando as águas do Mondego, diáfanas poesias versejadas.

Lavratura… Donzela coroada aos olhos de Coimbra! Que seu escudo na minha lira ruja como leão de Ataces, defenda-me o dragão de Hermenérico, que em outros idiomas não me calem a LÍNGUA…

Deth Haak

02/09/2005

http://recantodasletras.uol.com.br/poesiasdedicatorias/106610

11/08/2009.

Poema 1

(03/08/20090)

BRINCADEIRA DE LÍNGUA

De Karla Bardanza

Arrisco e arrasto um risco

Com arroz e arrufo na

Folha com filha e flor.

Provo o sabor do saber

E sinto secretamente

O sagrado e o segredo.

Creio que o cravo e o

Crisântemo crescem

No cristal.

Chega a chuva

Cheia de cheiro e charme

No chão da chapada.

Letras pretas e pratas

Provocam-me premonições

E prazer.

Brinco com o braço

Na brisa do brejo

Da bruxa.

Fale rápido sem gaguejar,

Sem rir ou errar esse

Trava-língua popular:

“Pedro Pereira Pinto

pobre pintor português

perseguido pela polícia

paulista.”

Brincadeira de língua,

Quem não se lembra?

O passado vivo na lembrança.

É…um dia eu também

Já fui criança…

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=67862